Debaixo da denominação partilhada com a berlina Seal, a variante U de formato SUV apresenta-se como um carro híbrido plug-in mais versátil sem perder a boa qualidade e o excelente equipamento habitual na marca. A autonomia sem emissões ronda os 80 km.
A família Seal irrompeu com força na chinesa BYD. De facto, podemos considerá-la um dos seus pilares mais importantes, para além de produtos um pouco mais acessíveis, como o utilitário Dolphin ou o SUV compacto Atto 3. Com as devidas diferenças, claro, a dupla de modelos berlina Seal e o SUV Seal U, apesar de este último derivar de uma plataforma diferente, apresenta-se como uma espécie de reflexo do que a Tesla propõe com os seus best-sellers Model 3 e Model Y. Neste caso concreto, a BYD entra num segmento onde o espaço a bordo, como bom SUV de tamanho médio que é o Seal U (mede 4.785 mm de comprimento, 1.890 de largura e 1.669 mm de altura) é norma. Com um design exterior de linhas modernas e fluídas, o seu habitáculo é bastante generoso. Os ocupantes dos lugares traseiros não terão de reclamar do amplo espaço para as pernas (o piso, além disso, é completamente plano). Os bancos são largos e têm encostos inclináveis e rebatíveis na proporção de 60:40 (talvez estejam um pouco baixos e carecem de regulação longitudinal), e há boa largura e altura.
Centro de controlo
A bagageira anuncia 425 litros, um valor longe dos 522 da congénere elétrica, mas que acabam por ser mais do que suficientes para levar a “tralha” da família. Neste caso, a colocação da bateria acaba por interferir num espaço de carga cujo acesso é bom e fácil. No posto de condução, tão folgado como atrás, o Seal U deixa-nos uma primeira impressão realmente boa. À vista é um carro bem apresentado, os materiais utilizados aparentam ser de boa qualidade e estão montados com rigor. Ao toque também são agradáveis, e tanto os espaços de arrumação nas portas como na consola central são grande. Pena que o acesso à zona inferior da consola, onde se encontram as entradas USB, seja algo complicado. Por cima inclui duas bases de carregamento sem fios para smartphones, um bom detalhe.
Depois, há elementos que deixam um sabor diferente. O painel de instrumentos é pouco personalizável, complementado por um head-up display que projeta a velocidade e outros dados em bom tamanho no para-brisas. Ao centro, o protagonismo recai no enorme ecrã de 15,6“, cuja caraterística mais notável é a possibilidade de ser rodado a partir de um botão no volante ou no próprio painel. A qualidade gráfica é normal, assim como as suas funções, sendo preciso recorrer a ele para quase tudo, incluindo a climatização (o controlo por voz da BYD também permite ajustar a temperatura a bordo). Na prática, achamo-lo um pouco desaproveitado (pode ser dividido, mas apenas para mostrar aplicações de navegação e Spotify) e a adaptação automática do brilho é lenta.
80 km sem emissões
Em movimento, o BYD Seal U “marcha” com suavidade e, sobretudo, muito conforto. Para tal, contribui a suavidade do amortecimento, que depois o penaliza em termos de agilidade, acusando movimentos generalizados da carroçaria a menos que sejamos incisivos com o volante. Neste sentido, a direção não transmite grande precisão e necessita de pouco esforço para a movimentar (existem dois níveis de regulação).
A combinação dos dois motores, combustão e elétrico não é das mais musculadas, mas em boa verdade, a BYD propõe versões com potências e autonomias diferentes neste mesmo PHEV. Assim, a nossa opção Boost (versão de entrada) é a mais comedida, contudo não deixa de ser uma escolha equilibrada e suficiente. Com tração dianteira, junta um propulsor a gasolina de quatro cilindros e 1.5 litros (97 CV) baseado no ciclo Atkison, sem turbo, a um motor elétrico, alimentado por uma bateria de 18,3 kWh, para anunciar uma potência total de 215 CV e um binário máximo de 300 Nm. Números mais do que suficientes para animarem um conjunto de quase duas toneladas: acelera de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos e garante uma velocidade máxima de 170 km/h (limitada). A autonomia sem emissões anunciada de 80 quilómetros é a mais modesta (há uma versão com até 125 km), embora, como na maioria dos PHEV, não seja fácil de obter (ficámos pelos 70). Ainda assim, parece-nos suficiente para que na generalidade das rotinas no dia-a-dia se consiga aproveitar esta benesse sem estar sempre a pensar que o temos de ligar à corrente. Finda a energia, não se observa um aumento drástico dos consumos de combustível, como é tão comum neste tipo de híbridos.
Texto J. P. Esteban
Fotos Paulo Calisto
CONCLUSÃO
Se olharmos para o equipamento completo, o Seal U DM-i tem o trunfo de oferecer um preço ajustado para a sua classe: 41.435 € para esta versão de “acesso”. Embora não lhe falte potência, o seu desempenho não é surpreendente. Destaca-se a qualidade e a amplitude a bordo, bem como a suavidade de condução, adaptada aos que privilegiam o conforto.
FICHA TÉCNICA
BYD SEAL U DM-I BOOST
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.498 cm3
POTÊNCIA 97 CV às 6.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 122 Nm entre as 4.000 e as 4.500 rpm
TRANSMISSÃO Dianteira, caixa de relação única
SISTEMA ELÉTRICO
TIPO DE MOTOR Síncrono de ímanes permanentes
POTÊNCIA 194 CV
BINÁRIO 300 Nm
BATERIA Blade Battery (LFP), 18,3 kWh (úteis)
AUTONOMIA (WLTP) 80 km
SISTEMA HÍBRIDO
TIPO DE MOTOR Elétrico-Gasolina, PHEV
POTÊNCIA (TOTAL) 215 CV
BINÁRIO (TOTAL) 300 Nm
VELOCIDADE MÁXIMA 170 km/h
ACELERAÇÃO 8,9 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 6,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 20,5 g/km (misto)
DIMENSÕES (C/L/A) 4.775 / 1.890 / 1.670 mm
PNEUS 235/55 R19
PESO 1.913 kg
BAGAGEIRA 425-1.440 l
PREÇO 41.345 €
GAMA DESDE 41.345 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 148,22 €
LANÇAMENTO Junho de 202