Os condutores portugueses podem estar prestes a enfrentar um novo aumento nos preços dos automóveis, desta vez impulsionado pelas tarifas comerciais propostas pelos EUA. Analistas alertam que os custos podem subir entre 2.300 euros e 20.000 euros por veículo, dependendo da origem e do modelo, um impacto que se fará sentir mesmo nos carros produzidos nos Estados Unidos, já que muitos componentes continuam a ser importados.
Em Portugal, onde o preço médio de um carro novo já subiu de 33.550 euros em 2021 para cerca de 44.200 euros em 2024, este agravamento pode tornar a compra de um automóvel ainda mais difícil para muitas famílias.
A ACAP (Associação Automóvel de Portugal) teme que as tarifas de 25% propostas pela administração Trump possam desencadear uma reação em cadeia, pressionando ainda mais o mercado europeu.
Os Estados Unidos são o segundo maior mercado automóvel do mundo, atrás apenas da China, e uma contração de 15% a 20% nas vendas, como prevê o Bank of America, significaria menos 2,4 a 3,6 milhões de veículos comercializados anualmente. Essa queda teria efeitos diretos nos fabricantes com operações em Portugal, como a Volkswagen Autoeuropa, que exporta uma parte significativa da sua produção.
Se as marcas repassarem os custos adicionais para os consumidores, o cenário poderá levar a uma desaceleração ainda maior no setor, já pressionado pela inflação e pelos custos energéticos. Além disso, a incerteza sobre o valor exato que será transferido para o preço final dos carros deixa tanto compradores como vendedores em alerta.
Enquanto os governos e as associações do setor avaliam estratégias para mitigar estes impactos, os portugueses podem ter de se preparar para uma realidade em que o sonho de um carro novo se torne ainda mais distante. A pergunta que fica no ar é: até quando o mercado automóvel conseguirá suportar esta escalada de preços sem afastar definitivamente os consumidores?