A Mercedes-Benz produz atualmente alguns dos interiores mais luxuosos do seu segmento, com os maiores ecrãs do mercado. Mas para o chefe do estilo na marca da estrela, algumas questões se colocam: como elementos como o Hyperscreen vão envelhecer com o tempo? E um software que parece moderno em 2025 como vai parecer em 2040?
Num raro momento de franqueza, Gorden Wagener, diretor de design da Mercedes-Benz, admitiu que a aposta da marca em ecrãs gigantes, como o famoso Hyperscreen, não é suficiente para definir o luxo automóvel. Durante um evento em Miami para o lançamento do empreendimento residencial Mercedes-Benz Places, Wagener falou sobre os desafios da marca e a necessidade de evoluir além da tecnologia visível.
Ecrãs grandes, mas conteúdo ainda em desenvolvimento
O Hyperscreen, um painel que domina o interior de modelos como o EQS e que será incluído na renovada Classe S de 2026, foi elogiado pelo seu hardware impressionante. No entanto, Wagener reconheceu que o software ainda não está à altura.
“Ecrãs grandes exigem conteúdo de qualidade, e isso é algo que estamos a melhorar”, disse. O responsável destacou que, embora os ecrãs sejam um recurso atraente, não são sinónimo de luxo. “Até se pode ter uma televisão maior em casa. O luxo vai além disso”, completou.
A Mercedes-Benz foi uma das pioneiras na adoção de ecrãs gigantes nos seus veículos, transformando os interiores em espaços digitais. No entanto, Wagener alertou que a tecnologia embarcada precisa de ser pensada para durar, já que os carros têm um ciclo de vida que pode ultrapassar 18 anos. “O que parece moderno hoje pode ficar obsoleto rapidamente”, explicou.
O verdadeiro luxo está nos detalhes
Para Wagener, o luxo automóvel deve ser construído com base em artesania, sofisticação e materiais de alta qualidade, e não apenas em tecnologia. O diretor afirmou que a Mercedes-Benz está focada em melhorar esses aspetos para garantir que os seus carros continuem relevantes e desejáveis ao longo do tempo.
“Precisamos de criar uma experiência que vá além dos ecrãs, algo que transmita verdadeira exclusividade e conforto”, disse.
Apesar das críticas, o Hyperscreen continuará a ser um destaque nos futuros lançamentos da marca. Ainda não se sabe se o software será significativamente atualizado, mas a Mercedes-Benz parece comprometida em equilibrar inovação tecnológica com um design que envelheça bem.
Inteligência Artificial e o futuro do design automóvel
Wagener abordou também o impacto da inteligência artificial (IA) no design de carros, prevendo que, dentro de dez anos, a IA poderá substituir designers humanos. Esta mudança, segundo ele, exigirá que as marcas repensem a sua abordagem, mantendo o foco na experiência do cliente e na essência do luxo.
Enquanto a Mercedes-Benz trabalha para aprimorar os seus sistemas de infotainment e conteúdo digital, a mensagem de Wagener é clara: o verdadeiro luxo não está apenas no que se vê, mas no que se sente. E, para ele, isso vai muito além de um ecrã gigante.