No espaço de um ano, a Ferrari conseguiu rejuvenescer a sua clientela, atraindo mais 10% de compradores com idade igual ou inferior a 40 anos.
“Se não tivermos um Rolex aos 50 anos, ainda perdemos a vida”. Já se passaram 16 anos desde que esta pequena frase cunhada pelo publicitário Jacques Séguela sobre o relógio usado pelo então Presidente da República, Nicolas Sarkozy, entrou para a história. Se a Rolex é de facto o símbolo da relojoaria de luxo, o que dizer da Ferrari no mundo dos automóveis? É fácil imaginar o mesmo tipo de frase a ser usada com o cavalo empinado em vez da coroa. Mas então, em que idade é que falhou na vida se não tiver um Ferrari na sua garagem? É impossível dizer. Mas, brincadeiras à parte – é óbvio que não é necessário ostentar símbolos deste género para ter sucesso na vida -, é preciso saber que a clientela da Ferrari continua a rejuvenescer, como sublinhou o CEO da marca italiana numa entrevista.
Benedetto Vigna, entrevistado pelo meio de comunicação americano CNBC, forneceu alguns números interessantes. Nomeadamente, 40% dos novos compradores têm atualmente menos de 40 anos. Ou seja, quase um comprador em cada dois! Se tivermos em conta que, em Portugal, a idade média em 2024 era de 54 anos, o que varia obviamente de marca para marca (59 anos para um Toyota, 44 anos para um Tesla), e que todos os anos a idade dos compradores tende a aumentar, quase nos faz pensar no que perdemos na vida! Na Ferrari, o oposto é verdadeiro: a idade está a diminuir. Ainda há 18 meses, os novos compradores de automóveis de Maranello com menos de 40 anos representavam 30% do total.
Mas vamos pôr estes números da Ferrari em perspetiva, porque o CEO não indicou a idade média exacta dos seus compradores. É compreensível que a proporção de compradores mais jovens esteja a aumentar. Mas estamos a falar de compradores de primeira viagem, que representam apenas 20% dos carros vendidos no ano passado. Por outro lado, 81% dos carros são vendidos a pessoas que já são clientes da Ferrari, 48% dos quais já possuem mais de um Ferrari. O Diretor-Geral da Ferrari afirmou também que está atento às listas de espera, que atualmente são de dois anos.
Para ilustrar este prazo quase incompressível, dado o baixo nível de produção anual da marca (13.752 carros vendidos em 2024), deu dois exemplos: “Um cliente de 78 anos comprou um Ferrari e disse-me: ‘Não posso esperar dois anos’. (…) Outra pessoa, mais jovem, com 37 anos, disse-me: ‘Quando for mais velho, gostaria de ter o meu carro antes dos 40’. Respondi-lhe: “Não te preocupes, vais tê-lo quando tiveres 39 anos”.